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Em meio à volatilidade do preço do petróleo, qual o valor justo?

Abdellah Adhana
Abdellah Adhana
Manager, Fixed Income & Derivatives Valuations., Refinitiv

O tombo do preço do petróleo desencadeado pela pandemia de Covid-19 e o descumprimento do acordo de produção da OPEP dificultam a percepção do que são valores justos para ativos do setor energético. Descubra como a Refinitiv está ajudando os investidores a obter maior clareza neste tipo de avaliação.


  1. A queda dos preços dos títulos e dos derivativos de crédito demonstra como os investidores avaliam negativamente as perspectivas do setor de petróleo à luz dos recentes eventos.
  2. A drástica queda da cotação do petróleo fez com que os títulos de energia caíssem, em média, 11 pontos, um declínio nunca antes visto no setor.
  3. Por meio de uma rede de fontes de dados de alta qualidade e discussões com os participantes globais do mercado, a Refinitiv traz maior clareza para a definição de valores justos no setor energético.

Como o maior importador mundial de petróleo e local de origem da pandemia de coronavírus, podemos dizer que a China é a chave do recente desmoronamento da cotação da commodity e do colapso dos preços dos ativos.

Os esforços do país para conter o vírus –incluindo lockdowns, proibições de deslocamento de trabalhadores migrantes e políticas de trabalho em casa— desaceleraram drasticamente a sua economia.

A produção industrial chinesa desceu 13,5% nos dois primeiros meses de 2020, de acordo com o National Bureau of Statistics of China. Serviços, vendas no varejo e investimentos também caíram, enquanto, claro, o desemprego aumentou.

Essa contração sem precedentes também afetou outros países asiáticos. Cingapura, por exemplo, agora prevê um PIB entre -0,5% e +1,5% para 2020, em comparação à estimativa anterior de +0,5% a 2,5%.

Mesmo as nações menos ligadas à China estão sendo afetadas. Recentemente, a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) cortou a sua previsão de crescimento do PIB da Índia de 6% para 5,1% em 2020/21.

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Consumo de energia na China

A desaceleração da Ásia tem restringido a demanda da região por petróleo e gás, especialmente na China.

Segundo relatos, a segunda maior economia do planeta agora está comprando até três milhões de barris de petróleo a menos por dia (bpd) do que antes do surto. A Agência Internacional de Energia (AIE) avaliou o declínio em 3,6 milhões (bpd) em fevereiro, diante do consumo anterior de 14 milhões (bpd).

Uma redução tão grande (e rápida) na demanda provocou a queda dos preços de energia. E o benchmark do Brent, que começou o ano de 2020 próximo a US$70, chegou ao final de fevereiro pouco acima de US$50.

Nesse cenário desafiador, a Arábia Saudita e a Rússia –os dois principais atores da aliança OPEP+, que vinha controlando a produção e os preços do petróleo desde 2016— não conseguiram chegar a um consenso sobre a estratégia a ser adotada neste momento.

Assim, após a Rússia ter rejeitado um novo corte de mais de 1,5 milhão (bpd), a resposta saudita veio foi por meio da redução de até US$8 em cada um de seus barris, além da ameaça de elevar ainda mais a produção.

O resultado? Mais uma queda na cotação da commodity, com o Brent sendo comercializado abaixo de US$ 35. Uma semana depois, o preço já tocava os US$30.

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Tempestade perfeita

Para as empresas de petróleo e gás, não poderia haver resultado pior. A queda dos preços dos títulos e dos derivativos de crédito demonstra como os investidores estão avaliando as perspectivas dessa indústria em meio às cotações muito mais baixas e ao impacto da pandemia sobre a demanda.

Inclusive, a crise geral provocada pelo novo coronavírus levou a Agência Internacional de Energia (AIE) a prever o primeiro declínio anual na demanda de petróleo no mundo desde 2009.

A drástica queda na cotação da commodity fez com que os títulos de energia caíssem, em média, 11 pontos, um declínio nunca antes visto no setor. Alguns chegaram a despencar 40 pontos.

Bem, tudo isso representa um sério risco de inadimplência para o setor. Para se ter uma ideia, o prognóstico do JP Morgan é que até 2022 quase um quarto (24%) das empresas de energia dos EUA estarão inadimplentes, mesmo que o barril volte a ser negociado a US$ 50 já no próximo ano. Com o preço do petróleo ao redor de US$ 40, o banco acredita que 43% dos participantes da indústria de petróleo e gás deixariam de cumprir suas obrigações.

Indústria de xisto dos EUA

As agências de classificação de risco também estão revisando suas posições. Apesar dos cortes de dividendos e outros esforços para manter dinheiro em caixa, companhias como Devon Energy, Hess Corp. e Occidental Petroleum podem receber notas abaixo da marca-chave BBB, alertou a Standard & Poor’s. “Com classificações abaixo do grau de investimento, essas corporações enfrentarão graves rebaixamentos”, explica a agência em nota.

Em suma, em meio à realidade sombria enfrentada pelo setor energético mundial, a indústria norte-americana de petróleo de xisto encontra-se ainda em pior situação.

Com um ponto de equilíbrio financeiro (break even point) particularmente alto –de 45 a 55 dólares por barril, segundo analistas— devido aos elevados custos de produção e alavancagem, os riscos de refinanciamento e inadimplência são cada vez maiores para algumas organizações que atuam no mercado de xisto.

Mesmo assim, o setor ainda conta com pontos positivos. Um deles é que o governo de Donald Trump anunciou planos de comprar petróleo doméstico para a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA. Além disso, muitas empresas independentes da área investiram em robustas medidas de hedge para a sua produção antes da queda dos preços.

  Valores justos para ativos do mercado energético

A Refinitiv busca trazer transparência aos participantes do mercado durante esses tempos de grandes incertezas.

A nossa abordagem baseia-se em uma extensa rede de fontes de dados de alta qualidade, modelos proprietários e discussões regulares com os principais partipantes do mercado. Além disso, nossa equipe global de especialistas em avaliação de crédito de múltiplos ativos utiliza insights obtidos a partir de suas análises detalhadas.

A abrangente configuração do Refinitiv’s Evaluated Pricing Service propicia maior consistência e revisão contínua sobre novos sentimentos dos investidores, o que tem se mostrado extremamente relevante para as as atuais condições dos mercado.

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