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Força do dólar desperta volatilidade nos mercados de câmbio

Saqib Iqbal Ahmed
Saqib Iqbal Ahmed
ETF/investments correspondent at Reuters News Agency
Gertrude Chavez-Dreyfuss
Gertrude Chavez-Dreyfuss
Correspondent, Thomson Reuters

A volatilidade está aumentando nos mercados de câmbio, à medida que apostas sobre com que agressividade os bancos centrais apertarão a política monetária –em meio a salto da inflação– impulsionam o dólar e exacerbam oscilações nas moedas globais.

O Índice de Volatilidade Cambial do Deutsche Bank , que mede expectativas de oscilações no câmbio, disparou nas últimas semanas de uma mínima em três meses para seu nível mais alto desde março, impulsionado pelas movimentações de dólar, euro e iene japonês, bem como por uma ampla gama de outras moedas.

Direcionando esses comportamentos estão as perspectivas divergentes para os bancos centrais, que estão se movendo em velocidades diferentes na normalização da política monetária, depois que muitos cortaram os juros e adotaram medidas extraordinárias no ano passado para proteger suas economias dos danos causados pela pandemia de Covid-19.

As expectativas de juros mais altos em um país tendem a aumentar a atratividade de sua moeda para investidores em busca de retornos maiores.

O aumento das oscilações nos mercados de câmbio pode fornecer a investidores as movimentações de que precisam para ganhar dinheiro apenas com a negociação de moedas, trocando uma por outra.

O excesso de volatilidade, por outro lado, pode forçar operadores a reduzir sua exposição a risco e criar problemas para empresas internacionais que precisam converter seus lucros para suas divisas nacionais.

Embora a volatilidade ainda esteja baixa em comparação a níveis históricos, alguns investidores acreditam que as oscilações não devem diminuir tão cedo. A volatilidade nos mercados de títulos, também fortemente impulsionada por expectativas em relação aos juros, vem aumentando há semanas.

Grande parte da volatilidade recente resultou de um rali cada vez mais rápido do dólar, que está se beneficiando de apostas de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, precisará encerrar seu programa de compra de títulos e, eventualmente, aumentar os juros a ritmos mais intensos do que outros bancos centrais.

A moeda norte-americana acumula alta de 9,1% em relação ao euro neste ano, a caminho de fechar 2021 com seu maior ganho anual em seis anos. O dólar também tem valorização de 11,6% em relação ao iene japonês e de 7,0% em relação à divisa australiana até agora no ano.

Com a volatilidade em alta, alguns investidores estão tomando medidas para proteger suas carteiras de novas oscilações cambiais.

A volatilidade implícita usada pelos bancos para precificar opções de três meses do par euro-dólar estava em seu nível mais alto desde março nesta quarta-feira, indicando maior demanda por “hedge”, ou proteção, contra o aumento das oscilações desse par de moedas.

Já a demanda por algumas opções que protegem de oscilações do par dólar-iene está em seu pico em um ano.

Bernhard Eschweiler, consultor econômico da QCAM Currency Asset Management, aposta que o dólar continuará em alta, mas também recomendou que investidores recorram a derivativos que possam compensar oscilações nos mercados de câmbio.

O aumento da inflação, surtos de Covid-19 e a intensificação da escassez de energia estão entre os fatores que podem dar uma sacudida nos mercados, disse ele.

“Não faltam choques potenciais”, afirmou.

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