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Como a Covid-19 afetou o comportamento do consumidor?

Jharonne Martis
Jharonne Martis
Director, Consumer Research, Refinitiv

Descubra como ferramentas de análise ajudam a sinalizar até que ponto a pandemia afetou o comportamento do consumidor e quais estratégias podem ser empregadas para tornar o setor varejista mais sustentável.


  1. Ferramentas de análise, como o Modelo de Risco de Crédito StarMine Smart Ratios e o Índice Primário de Sentimento do Consumidor Refinitiv Ipsos, podem fornecer informações sobre quem são os vencedores e os perdedores no universo do varejo durante o primeiro trimestre de 2020.
  2. Como temos visto, a Covid-19 está mudando o comportamento do consumidor ao redor do globo. Os gastos foram afetados pela preocupação das pessoas com a situação profissional e a manutenção da renda. Enquanto isso, o e-commerce e as vendas online vem ajudando a compensar o prejuízo causado pelo fechamento (temporário ou definitivo) de lojas.
  3. Entre os mais afetados no setor de varejo no primeiro trimestre de 2020 estão as lojas de departamentos. Já as marcas de móveis para a casa ou relacionadas a produtos que oferecem conforto resistiram à tempestade.

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A pandemia de Covid-19 atingiu o setor varejista com força, provocando o fechamento de lojas em todo o mundo no primeiro semestre deste ano. À medida que os empresários são obrigados a navegar em território desconhecido, alguns estão cortando a estimativa de lucros, outros, decretando falência, e algumas redes já avaliam em que momento reabrir suas lojas.

Mas, afinal, como podemos usar ferramentas de análise para descobrir quem são os vencedores e os perdedores do primeiro trimestre de 2020?

Descubra como os modelos Refinitiv StarMine podem ser utilizados ​​em sua pesquisa de investimento fundamental e quantitativa

Ganhos e perdas

O Modelo de Risco de Crédito StarMine Smart Ratios combina dados alternativos e fundamentais para identificar quais empresas parecem mais sustentáveis ​conforme a Covid-19 altera o comportamento e as preferências dos consumidores.

Jà o Índice Primário de Sentimento do Consumidor Refinitiv Ipsos indica que, à medida que as pessoas lidam com o surto de coronavírus, elas também estão preocupadas com sua situação de emprego, e isso tem uma forte correlação com os seus gastos. Uma taxa de desemprego de 14,7% se traduz em um fraco Índice de Vendas em Mesmas Lojas (“same stores sales”, ou SSS, na sigla em inglês) no varejo –e no primeiro trimestre essa taxa realmente foi negativa.

Entre os participantes do setor varejista, os negócios da categoria multilinha apresentaram as piores vendas, que caíram na casa dos três dígitos. Essa fraqueza foi causada principalmente pelas lojas de departamentos, que já se viam às voltas com o fraco movimento dos shoppings mesmo antes do início da pandemia.

Tendências positivas de vendas foram observadas nos setores de alimentos e alimentos básicos, bens domésticos duráveis e produtos.

Alguns varejistas conseguiram conter os números do SSS, porque esse geralmente é um indicador comparativo das lojas que estão abertas. Mas os números negativos das vendas no varejo foram muito acentuados (em até -40% e -50%), piores até do que na Grande Depressão, na década de 30.

Entre os que tiveram bom desempenho estão marcas como Lovesac e Crocs. Isso porque os consumidores claramente tentaram melhorar a experiência de ficar em casa, comprando sapatos confortáveis, típicos da Crocs, e móveis modulares práticos como os vendidos pela Lovesac.

Quais empresas varejistas são mais sustentáveis?

O Modelo de Risco de Crédito StarMine Smart Ratios analisa a lucratividade, alavancagem, liquidez e cobertura de juros das empresas para determinar quais delas são mais sustentáveis. Entre as internacionais com pontuação mais baixa estão a Iconix, que vende produtos para lojas de departamentos (obteve pontuação 1 de 100); Pier 1 Imports (1); Rite Aid (1); GNC (2); Ascena Retail (2); Tailored Brands (2); e Fred’s (3).

O Modelo de Risco de Crédito StarMineText Mining analisa textos em artigos e comunicados à imprensa em busca de sinais sobre a saúde financeira da empresa. Em abril passado, por exemplo, quando a Lord & Taylor, uma companhia privada, explorou a sua falência, veículos de notícias, incluindo a Reuters, foram os que mais escreveram sobre o assunto.

Outro tipo de análise envolve a combinação de dados alternativos e fundamentais, como a colaboração da Refinitiv com a plataforma BattleFin Ensemble.

Já o Fathom China Momentum Indicator, que pode ser acessado no Datastream, do Eikon, oferece uma visão mais precisa sobre o verdadeiro grau de atividade econômica na China. Isso porque o país asiático tem sido muito criticado pela falta de transparência nos seus relatórios econômicos. O Fathom China Momentum Indicator combina 12 indicadores econômicos para obter uma imagem precisa do PIB chinês.

Há ainda um outro indicador, que reúne dados de listas de empregos e dispensas, gerenciados pela LinkUp. Esses dados costumam ser um indicador importante de problemas em uma empresa.

Análise de dados de preços

A colaboração da Refinitiv com a StyleSage gera dados sobre os preços dos produtos online, como aqueles ítens que se esgotam e os que estão sendo oferecidos com desconto. Por exemplo, em meados de maio, conforme as lojas fechavam e os estoques se acumulavam, 63% das mercadorias online entraram em promoção, com um média de desconto 21% maior do que no mesmo mês em 2019.

Esses conjuntos de dados alternativos nos ajudam a ver como as coisas mudam em tempo real. Eles são ferramentas poderosas, especialmente quando combinadas com a pesquisa fundamental.

Estratégia omnichannel

Se olharmos para o futuro, fica evidente que adotar uma estratégia omnichannel é fundamental para a sobrevivência do varejo.

O grupo de grifes de luxo LVMH, por exemplo, comunicou que o e-commerce e as vendas online ajudaram a compensar o impacto do fechamento de lojas na China e Europa; e a Home Depot, dos EUA, relatou que as vendas digitais aumentaram 80% durante a pandemia, com 60% delas sendo retiradas de forma rápida nas próprias lojas.

Observando as tendências de vendas, podemos dizer que a quarentena impulsionou a cultura do “faça você mesmo”. Tecidos para fazer máscaras e projetos de bricolagem, por exemplo, são produtos que beneficiaram bastante a rede Home Depot.

Quanto aos artigos pessoais, não chega a ser surpresa que robes, meias, pijamas e roupas de ginástica estão vendendo super bem e, obviamente, ficando de fora das promoções.

Hábitos de consumo relacionados a itens de higiene e beleza também estão mudando. A Procter & Gamble observou que as pessoas não estão fazendo tanto a barba, já que não vão mais para o escritório, então esses produtos estão sendo liquidados. Por outro lado, como os homens estão deixando a barba comprida, loções e outros acessórios para cuidar dos fios estão se esgotando no mercado.

O futuro do comércio

O sentimento dos consumidores em relação ao vírus e ao retorno para lugares fechados não é encorajador. Cerca de 35% dos consumidores disseram que vão esperar um pouco para voltar a frequentar shoppings.


Quando questionados se os concertos ao vivo deveriam recomeçar antes de haver uma vacina, 55% disseram que “não”.

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