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Estamos lidando com um novo superciclo das commodities ou apenas um aquecimento sasonal?

Segundo pesquisa publicada por alguns dos principais bancos globais de investimento, os mercados de commodities podem estar prestes a embarcar em um novo superciclo, caracterizado por um amplo e acentuado aumento de preços que perdura vários anos.


  1. As cotações das commodities estão se recuperando da queda acarretada pela Covid-19. Mas isso indica que os mercados estão ingressando em um novo superciclo das commodities ou que é apenas uma retomada cíclica, normal e já esperada?
  2. Os potenciais catalisadores do próximo superciclo das commodities incluem: 1. industrialização e urbanização na Índia; 2. uma nova infraestrutura energética para amparar os esforços em direção às metas climáticas; 3. estímulo fiscal em grande escala para estimular a recuperação econômica no pós-Covid-19.
  3. Combinados, esses três gatilhos têm grande probabilidade de fomentar um superciclo no setor. No entanto, até agora eles se mantêm como “potenciais estímulos”, pois ainda não há muitas evidências sugerindo que já estejam ocorrendo.

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De acordo com relatórios publicados por alguns dos maiores bancos de investimento do mundo, estaríamos em vias de testemunhar um novo superciclo no mercado de commodities, termo empregado quando há um forte e amplo aumento de preços que dura vários anos.

Mas, embora essas mercadorias provavelmente se valorizem nos próximos dois anos, após a forte queda acarretada pela pandemia, ainda não está claro se isso marcará o início de um superciclo ou somente uma retomada, que é cíclica, normal.

Afinal, até uma análise superficial das séries históricas mostra que as cotações desses produtos exibem comportamento cíclico em todas as escalas de tempo, variando de muito curto (minutos, horas e dias) a bem longo (meses, estações, anos e até décadas).

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Superciclo ou aquecimento normal?

Em um período típico, valores em alta tendem a encorajar mais vendas e produção, e menos compras e consumo. Isso cria condições para uma queda subsequente de preços, antes que o padrão se repita.

Na maioria dos casos, o comportamento cíclico das cotações individuais indica que há apenas uma sincronização limitada entre os diferentes mercados de commodities.

Portanto, o termo superciclo é reservado para flutuações maiores de preço e fases mais longas, que normalmente duram mais de 20 anos (das mínimas ao topo e vice-versa) e envolvem um amplo espectro de commodities.

Choques de demanda

Os superciclos anteriores atingiram o pico nas décadas de 1910, 1950, 1970 e 2010, segundo um estudo de preços de 40 commodities agrícolas, industriais e energéticas do historiador econômico David Jacks.

Ele argumenta que os superciclos geralmente surgiram a partir do lado do consumo, não do lado da produção do mercado.

Os superciclos anteriores foram impulsionados pela industrialização e urbanização dos Estados Unidos e pela Primeira Guerra Mundial, com a reindustrialização da Europa e do Japão no pós guerra, além da industrialização e urbanização da China nos anos 2000.

Jacks observa que essas são razões relacionadas à demanda e intimamente ligadas a episódios históricos de industrialização e urbanização em massa, que, por sua vez, interagem com restrições agudas de capacidade em muitas categorias de produtos –sobretudo energia, metais e minerais— e geram commodities com sobrepreço por anos, ou mesmo décadas, a fio.

“No entanto, quando há um choque de demanda, geralmente surge uma oferta compensatória, conforme as atividades de exploração e extração (antes adormecidas) decolam, e a mudança tecnológica, segue seu curso. Assim, à medida que as restrições de capacidade são atenuadas, vemos uma retomada da tendência normal de preços”, explica o historiador.

As grandes elevações no consumo são o que distinguem os superciclos plurianuais de aumentos e quedas mais rotineiras de preços. Portanto, a principal questão é se veremos um crescimento de demanda nos próximos anos que desencadeie uma alta e depois uma baixa de preços forte e suficientemente longa para configurar um superciclo.

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A próxima década

Existem vários potenciais gatilhos para um aquecimento maior do que o normal no setor de commodities ao longo dos próximos dez anos.

Para começar, devemos lembrar que a próxima grande economia com probabilidade de se industrializar e urbanizar é a Índia, país suficientemente populoso para deflagrar um superciclo. Contudo, ainda não está claro se isso acontecerá em breve.

Outro possível estímulo seria a construção de uma nova infraestrutura de energia para apoiar as metas climáticas. Mas, para que isso fosse capaz de desencadear um novo superciclo, precisaria ocorrer de forma rápida e em escala quase global.

Finalmente, os estímulos fiscais oferecidos por diversos países para estimular suas economias no pós-Covid pode ser suficiente para desencadear um superciclo. Ainda não sabemos, porém, se esses pacotes serão tão diferentes dos gastos cíclicos comuns à maioria dos governos.

Por si só, tanto a industrialização da Índia quanto a transição energética ou os pacotes governamentais de estímulo econômico já poderiam desencadear um novo superciclo das commodities, mas a probabilidade seria significativamente maior se todos esses fatores ocorressem de forma combinada.

Até agora, no entanto, esses gatilhos não passam de meras possibilidades. Há poucas evidências de que os acontecimentos citados acima já estão em andamento ou de que ralmente irão deflagrar um aumento maior e mais longo do que o normal na cotação das commodities nos próximos anos.

Os superciclos são definidos por sua frequência relativamente baixa e longa duração. E, assim como nem toda desaceleração no ciclo de negócios se transforma em depressão, nem toda elevação nos preços das commodities se torna um superciclo.

Existe, sim, o risco de superestimarmos a ocorrência de superciclos. O anterior atingiu o seu pico há uma década, e é possível que outro esteja em andamento –mas estaria chegando com uma rapidez incomum.

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