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Divergências entre regras locais dificultam a implementação da FRTB

Fausto Marseglia
Fausto Marseglia
Head of Product Management, FRTB and Regulatory Propositions, Refinitiv

Conforme se aproxima a data limite para a FRTB entrar em vigor, diferentes interpretações das regras adotadas por cada país tornam a adoção da nova regulação ainda mais complexa.


  1. A Revisão Fundamental da Carteira de Negociação (Fundamental Review of the Trading Book ou FRTB) é parte da estrutura de Basileia III, e visa tornar o sistema financeiro global mais robusto, fornecendo diretrizes rígidas para os bancos calcularem a exposição ao risco de mercado.
  2. Embora o Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia (BCBS na sigla em inglês) emita as regras da FRTB, ele não tem autoridade para aplicá-las em cada jurisdição. Isso tem feito com que os requisitos variem de uma jurisdição para outra, afetando as operações bancárias.
  3. A interpretação das regras pode variar, por exemplo, em relação a certos aspectos do Teste de Elegibilidade do Fator de Risco (RFET, na sigla em inglês), como cotações comprometidas, volumes não desprezíveis, evidências de uma transação e auditoria independente.

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O que é FRTB?

A Revisão Fundamental da Carteira de Negociação (FRTB, na sigla em inglês) faz parte da estrutura do Comitê de Basileia III e foi projetada para tornar o sistema financeiro global mais robusto.

A FRTB engloba um conjunto revisado de padrões prudenciais que estabelecem como os bancos devem calcular seus requisitos mínimos de capital para risco de mercado, e o prazo para a sua implementação é janeiro de 2023.

Quando estiver em vigor, a FRTB garantirá que todos os bancos estejam sujeitos a critérios básicos, aprimorando a estrutura geral de governança de risco do mercado.

Embora, obviamente, isso seja positivo para o mercado como um todo, as instituições vêm enfrentando várias dificuldades no que diz respeito à sua implementação, incluindo aquelas relacionadas ao Teste de Elegibilidade do Fator de Risco (RFET). De acordo com as regras, qualquer banco que deseje usar seus próprios modelos internos precisará avaliar a liquidez dos fatores de risco utilizados ​​nesses modelos para passar no RFET. E, para cumprir com as exigências do teste, as organizações deverão acessar dados de qualidade em larga escala, enfrentando os enormes desafios que o gerenciamento desses elementos costuma trazer.

Como se não bastasse tudo o que já foi exposto, as diferentes interpretações locais das regras da FRTB têm tornado a adesão ao novo regulamento ainda mais complicada.

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Pontos de divergência

O Comitê de Supervisão Bancária da Basileia (BCBS, na sigla em inglês) emite as regras da FRTB, mas não tem autoridade para fazer com que elas sejam cumpridas em nível local, levando diferentes jurisdições a interpretar alguns aspectos da nova regulação à sua própria maneira.

Isso, por sua vez, acaba fazendo com que os requisitos variem de um lugar para outro, acarretando prejuízos financeiros e operacionais para os bancos, especialmente aqueles que operam internacionalmente.

E, apesar de a Europa estar relativamente avançada em seus preparativos para a implementação da FRTB, nas outras regiões do globo a interpretação das regras ainda é um problema.

Veja, a seguir, quatro exemplos específicos de diferentes interpretações:

Cotações comprometidas

O BCBS define uma cotação comprometida como o preço pelo qual uma única instituição se compromete a comprar ou vender um instrumento financeiro (um preço de compra ou de venda). Em contraste, a Autoridade Bancária Europeia (EBA) exige que as cotações comprometidas tenham um preço de compra e venda. Isso limitará significativamente o número de cotações que são elegíveis para o Teste de Elegibilidade do Fator de Risco (RFET).

Volumes “não negligenciáveis”

A Autoridade Bancária Europeia (EBA) também introduziu o conceito de volumes não negligenciáveis ​​para dados de observação, estabelecendo que qualquer negociação que seja elegível nos termos das regras do RFET deve ter um volume “não negligenciável”. A EBA não especifica, no entanto, o que significa “não negligenciável”, levando a mais confusão em torno de quais negociações podem e não podem ser incluídas para cálculos de RFET.

Evidência de uma transação

De acordo com as regras, se dados de observação são apresentados por um fornecedor, esse fornecedor também deve ser capaz de oferecer evidências da transação, mostrando que a negociação subjacente é válida. Embora o conceito de fornecer evidências seja claro, não está explicado como essas evidências devem ser colocadas. Não são especificados, por exemplo, os campos de dados que devem ser preenchidos.

Auditoria independente

Os fornecedores de dados que municiam os bancos com dados de observação para fins de RFET devem estar sujeitos a auditoria independente. O regulamento, entretanto, não especifica como essas auditorias independentes devem ser conduzidas e deixa muito espaço para interpretação.

Os exemplos acima servem simplesmente para destacar alguns dos muitos casos em que diferentes interpretações regionais estão adicionando mais complexidade à já onerosa tarefa de garantir o compliance com a FRTB após janeiro de 2023.

A importância de ter um parceiro de confiança

A Refinitiv entende que esses e muitos outros desafios apresentados pela FRTB são substanciais –e de longo alcance. Portanto, estamos comprometidos em fornecer dados precisos de observação de preços para uma ampla gama de instrumentos, pois essa é uma maneira concreta de ajudar os bancos a cumprir com os requisitos do RFET.

O Refinitiv Trade Discovery oferece cobertura de instrumentos ao longo de várias classes de ativos –e em diversas regiões. Capturamos dados reais de observação com precisão e eficiência, o que significa que os bancos não precisam fazer contribuições diretas individualmente.

Também armazenamos dados dos instrumentos usando hierarquias padronizadas, identificadores do setor e vários atributos dos Termos e Condições do instrumento, uma abordagem que permite aos bancos mapear observações para fatores de risco com base em metodologias internas.

Garantimos dados que são:

  • Normalizados
  • Duplicados
  • Consistentes
  • Fáceis de usar
  • Ajustados para cancelamentos, alterações e publicação diferida

Os dados do Refinitiv Trade Discovery estão disponíveis por meio de nossa API, e os bancos têm a flexibilidade de assinar apenas os conjuntos de dados necessários para a avaliação do RFET.

Além disso, o Refinitiv Trade Discovery fornece uma interface gráfica do usuário construída sobre a API Refinitiv Trade Discovery, com o objetivo de ajudar os bancos a testar a qualidade dos dados da Refinitiv e verificar como eles contribuem para a modelagem dos fatores de risco, sem investir tempo e dinheiro em software de desenvolvimento.

Esta interface permite aos usuários implementar instrumentos personalizados para mapeamento de fatores de risco, executar o RFET e revisar os seus resultados em gráficos e arquivos CSV para download.

Como um parceiro confiável, a Refinitiv provê os dados, a tecnologia e a experiência humana de que os bancos tanto precisam para atender aos complexos e crescentes desafios da FRTB. E, à medida que janeiro de 2023 se aproxima, é hora de as organizações proativas se concentrarem nas mudanças que serão necessárias para garantir o compliance sem grandes problemas operacionais.

O Refinitiv Trade Discovery fornece dados de observação de “preços reais” legíveis por máquina que maximizam sua chance de passar no RFET