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Insights sobre identidade digital

Caitlin Sinclair
Caitlin Sinclair
Head of Digital Identity and Financial Crime Proposition Development, LSEG

As formas tradicionais de se estabelecer identidade costumam englobar processos ineficientes e tediosos, acarretando experiências desagradáveis aos clientes. Mas, como os métodos de verificação de ID digital continuam ganhando força, muitos desses problemas estão sendo resolvidos. Em um recente webinar promovido pela ACAMS, no qual a Refinitiv esteve presente, especialistas se debruçaram sobre importantes questões relacionadas a identidade digital. Confira, neste post, um resumo do que foi abordado.


  1. Em recente webinar hospedado pela ACAMS, um painel de especialistas examinou algumas questões ligadas à ID digital, incluindo a evolução dos processos e o impacto do apoio governamental para uma adoção mais ampla da tecnologia.
  2. As moedas digitais já estão integradas à economia global. Isso significa que precisamos mudar os métodos empregados para prevenir lavagem de dinheiro e fraudes, ao mesmo tempo em que se torna crucial desenvolver soluções de identidade digital mais confiáveis.
  3. Se antes os canais digitais eram apenas mais uma opção para atrair e atender clientes, agora se tornaram parte do negócio.

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Processos digitais (ainda) em evolução

A tecnologia para apoiar a adoção de verificação de identidade digital em grande escala já existe, mas é importante lembrar que ela ainda se encontra em estágio de evolução e, portanto, não é perfeita.

Assim, ainda permanece o risco de possíveis invasões e fraudes contra o sistema, lembrando-nos de que o mais importante a se considerar nesse momento é como a verificação digital –em oposição aquela realizada pessoalmente— se comporta quando se trata de detectar atividades ilegais.

Um bom exemplo nesse sentido é o da autenticação de documentos. Há uma série de equívocos relacionados à tecnologia disponível e ao seu desempenho. A principal questão é se a autenticação digital de documentos, habilitada com Inteligência Artificial e análises forenses digitais, consegue ser mais eficaz na detecção de fraude do que o funcionário que atende no caixa de uma agência bancária.

As máquinas são melhores para apontar anomalias sutis, mas sofisticadas adulterações digitais em documentos nem sempre são identificadas. Em casos como esses, outros elementos, incluindo constatação de atividade e comprovação por meio de fonte confiável, tornam-se partes fundamentais de uma solução realmente robusta.

Leia sobre o Refinitiv Expert Talk: “Identity fraud, COVID-19 and the pivotal role of digital identity”

Apoio governamental

Elaborada pelo governo do Reino Unido, a “Estrutura de Confiança para a Identidade Digital” (em tradução livre; em inglês: The UK digital identity and attributes trust framework”) estabelece requisitos para empresas que fornecem ou usam esse tipo de serviço, além de propor um esboço inicial do que deverá ser transformado em lei.

Espera-se que essa iniciativa governamental impulsione uma maior adoção da tecnologia, fornecendo clareza sobre os processos digitais. É importante observar que a estrutura também precisa levar em consideração a natureza, em constante evolução, desses processos de identificação remota.

Assista: Refinitiv Perspectives LIVE – identity fraud during COVID-19: securing digital identity

A nova face do dinheiro

Mesmo com as constantes polêmicas a respeito de sua adoção, temos tido uma aceitação cada vez maior tanto das criptomoedas descentralizadas quanto daquelas apoiadas pelo estado.

As principais discussões sobre as moedas digitais estão relacionadas a que tipo de ativo elas, de fato, representam, já que as agências reguladoras ao redor do globo não parecem chegar a um acordo sobre o tema.

A Autoridade Monetária de Cingapura (MAS), por exemplo, as define como moedas de curso legal, exigindo que passem pelos mesmos níveis de due diligence e controles contra lavagem de dinheiro (AML) que as divisas tradicionais.

Já nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC) considera as criptomoedas como valores mobiliários, e dessa forma, sujeitas a um conjunto diferente de requisitos regulamentares. Essa definição impulsiona ainda mais a regulamentação downstream de provedores de câmbio e de carteiras digitais.

Independentemente de definições regulatórias, as cryptocurrencies tornaram-se parte do novo normal. E isso, além de abrir caminho para novas formas de prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro, leva à maior necessidade de soluções confiáveis ​​de identidade digital.

Inicialmente, os canais digitais eram “algo a mais”, usados para atrair e atender a clientela. Hoje em dia, entretanto, tornaram-se inerentes aos negócios.

Não há mais dúvidas de que processos de identificação e verificação digital são mais eficientes do que os equivalentes tradicionais e, de quebra, proporcionam uma melhor experiência ao usuário.

Por exemplo, algo que costuma criar dificuldades para os clientes são as senhas. Mas métodos de identificação biométrica ou por tokens ajudam a resolver esses pontos de atrito, melhorando a interação com a empresa.

A digitalização dos processos também consegue aprimorar a experiência do usuário de outras formas, inclusive na hora de realizar pagamentos e monitorar transações.

Um recurso interessante que vem auxiliando na detecção de fraude e na interação com o cliente é a análise de rede por meio do uso de Inteligência Artificial em datalakes expansivos. Isso reúne dados de identidade, transação e comportamento para indicar riscos e, ao mesmo tempo, eliminar alguns dos falsos positivos que podem levar a experiências negativas para a clientela.

O ecossistema de identidade digital oferece vantagens competitivas que realmente fazem a diferença para as empresas. Contudo, muitas organizações ainda precisam aderir de forma mais completa aos recursos digitais. Embora as fintechs já tragam esses processos em seu DNA, muitos bancos ainda enfrentam dificuldades para implementá-los e, se quiserem usufruir de seus benefícios, precisarão redobrar os esforços nesse sentido.

Leia sobre o Refinitiv Expert Talk: “Identity fraud, COVID-19 and the pivotal role of digital identity”

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