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Episódio 40

Como a Covid está drenando a energia brasileira

Publicado em: 9 de Agosto de 2020 • Duração: 6 minutos

Roger Hirst e Corey Stewart, Senior Energy Analyst da Refinitiv, falam sobre como a crise afetou a demanda de energia do Brasil. O Brasil é um player significativo no espaço de energia, mas seu alto número de casos Covid-19 impactou não apenas o setor de energia local, mas também os mercados globais?

  • Roger Hirst [00:00:07] Bem-vindo à série Corona Correction em associação com a Refinitiv. Sou Roger Hirst, seu anfitrião. Nos episódios anteriores da série, ouvimos Luiz Braga e Daniel Buttino falar sobre algumas das dificuldades enfrentadas pela economia brasileira. O Brasil também é um participante significativo na área de energia. Corey Stewart é Senior Energy Analyst da Refinitiv e se concentra especialmente nas Américas. Ele destaca o impacto que a crise causou sobre a demanda de energia do Brasil, bem como o impacto mais amplo sobre os mercados globais.

    Corey Stewart [00:00:37] O Brasil, em termos absolutos, tem a segunda maior incidência de casos de COVID-19 no mundo. Se detalharmos isso ainda mais, veremos que a taxa de infecção do país é um pouco melhor que a dos EUA, com 1,3%. Mas a taxa de fatalidade é maior, de 3,5%. Não é a pior, mas certamente não é a melhor. Analisando primeiramente o crescimento econômico, vemos que o coronavírus certamente não poupou o Brasil. Depois de começar a emergir da recessão em 2017, o crescimento econômico do Brasil tem sido lento. Em 2019, o país cresceu cerca de 1,1%, mas o FMI considera que a Covid impactou o Brasil em 2020 com mais de 5% de contração. Quando se trata da América do Sul, o Brasil representa metade de praticamente tudo. A população compõe cerca de metade de toda a América do Sul e, quando se trata do meu mundo, a energia, o Brasil produz 55% de todo o petróleo bruto da América do Sul. Ele representa cerca de metade da demanda por produtos refinados no continente e tem pouco mais de 42% da capacidade de refino da região. Além de ser um indicador da atividade econômica, a demanda por produtos do Brasil é importante no contexto da demanda mundial de energia e das exportações de produtos refinados dos EUA. Quando pensamos em produtos refinados, geralmente, pensamos em três produtos principais: gasolina, diesel e combustível de avião. Mas, para alguns países, os GLPs também têm muita importância. No Brasil, o GLP é importante para cozinhar e, como os brasileiros foram forçados a ficar em casa, os GLPs são os únicos produtos refinados em que houve um aumento da demanda. De fato, houve um pico de demanda que causou interrupções na cadeia de suprimentos de GLP. Quando as coisas voltarem ao normal, provavelmente poderemos esperar um relaxamento e nivelamento dessa demanda. Quando consideramos os produtos refinados, a situação do Brasil se assemelha à do resto do mundo. A gasolina foi afetada, mas será recuperada com a reabertura. O diesel não foi tão afetado e a demanda por combustível de avião foi muito reduzida, com o risco de não voltar ao normal por certo tempo. Globalmente, a gasolina e o diesel podem retornar aos níveis anteriores sem crescimento real nos próximos anos. A demanda por combustível de avião não só voltará ao normal depois de 2021. A gasolina é um caso especial no Brasil devido ao uso de etanol no país. Já o diesel apresentou pouca perda de demanda em relação aos outros combustíveis. A importação de destilados intermediários, diesel e combustível de avião dos Estados Unidos ao Brasil caiu em relação à média de 156 mil barris por dia de 2019, chegando a cerca de 125 mil barris por dia, em média, de janeiro a junho deste ano. Se analisarmos o período de março a junho, esse número cai para 95 mil barris por dia. Isso se combina com a diminuição  da utilização da capacidade de refino de cerca de 76% a pouco mais de 50% durante o pico da pandemia. Das 17 refinarias no Brasil, a Petrobras opera 15 e, recentemente, colocou  8 delas a venda para pagar sua dívida. Ela encerrou 2019 com US$ 87 bilhões de dívidas e se concentra na produção. A Covid amorteceu essas vendas, mas parece que, agora, a empresa está perto de vender uma delas. O coronavírus devastou a produção offshore no Brasil, mas, mesmo com isso, a demanda global por petróleo bruto brasileiro manteve a produção funcionando bem. As aspirações do Brasil e, mais especificamente, da Petrobras são aumentar sua participação no mercado bruto mundial. Na verdade, quando o vírus chegou, a Petrobras anunciou um corte na produção de 2020, mas, em seguida, teve que mudar os planos por causa da demanda. O Brasil é um exportador líquido  de bens, e a maioria das exportações são de produtos agrícolas, minério de ferro e petróleo bruto. E para onde vão os bens brasileiros? Cerca de um terço vai para a China e metade é direcionada aos Estados Unidos. Obviamente, estou mais preocupado com a parte do petróleo bruto e o que observamos é que 28% das exportações brutas do Brasil foram destinadas à China em 2017 e, agora, esse número está próximo de 50 a 60%. A China indicou que compraria mais, mas como houve algumas iniciativas de reabertura no Brasil, as refinarias domésticas começaram a aumentar os lotes para atender à demanda local. À medida que saímos dessa pandemia, a demanda por produtos refinados retornará; porém, a forma como muitos de nós trabalhamos provavelmente mudou. Até mesmo a Petrobras prevê que 50% de sua equipe administrativa trabalhará de casa de forma permanente. Isso em uma companhia de energia. Haverá uma demanda contínua e crescente por petróleo bruto brasileiro, mas a outra história será a relação de push/pull entre os EUA e a China, com o Brasil e outros no meio. A Refinitiv tem muitas informações, ferramentas analíticas e líderes de pensamento para ajudar você a tomar decisões orientadas por dados. Essa história envolve muito mais do que posso abordar aqui. Por isso, não deixe de participar do meu podcast semanal com Jim Mitchell, The Rundown Tank: America's Oil, em que discutimos o mundo da energia no Ocidente, do ponto mais ao norte do Canadá ao ponto mais ao sul do Chile.

    Roger Hirst [00:05:24] Não surpreende ver que o impacto sobre o mercado brasileiro é bastante grave. A crise do corona ainda está devastando o país e, depois de uma fraca recuperação da recessão anterior, o FMI prevê, agora, uma contração de 5% na economia. No entanto, a demanda doméstica por GLP realmente aumentou e causou alguns problemas de abastecimento. Em termos de demanda por produtos brasileiros, a China aumentou sua participação. Devido à proximidade das eleições nos EUA, em que a relação entre os EUA e a China desempenhará um papel fundamental, sem dúvidas, a crescente esfera de influência da China sobre o território dos EUA será mais um ponto de debate nas preparações para a votação. Nós nos veremos mais tarde, em outro episódio.

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