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Episódio 36

O Brasil tem um sério problema? 

Publicado em: 10 de Julho, 2020 • Duração: 6 minutos

Roger Hirst e Daniel Buttino, Senior Account Director da Refinitiv, falam sobre como a pandemia COVID prejudicou as perspectivas do Brasil depois que o mercado de ações local caiu quase 50%. Há luz no fim do túnel para a nova nação reformista do Brasil?

  • ROGER HIRST: Bem-vindo à série The Corona Correction em associação com a Refinitiv. Sou seu anfitrião Roger Hirst. O Brasil passou por uma montanha russa nos últimos anos, uma recessão prolongada seguida pela eleição de uma liderança reformista, que ajudou o mercado local de ações a atingir um novo recorde histórico, embora a fraqueza da moeda local tenha compensado grande parte desse desempenho para os detentores da exposição denominada do dólar americano ao mercado de ações brasileiro, como o EWZ ETF. A crise corona viu o marcador de ações locais cair quase 50% e prejudicou parte da agenda reformista. O quanto isso atrasou o Brasil? Conversei com o Senior Account Director da Refinitiv, Daniel Buttino, sobre as perspectivas para o Brasil. 

    DANIEL BUTTINO:  A economia local estava em recessão de 2014 a 2017, seguida por uma lenta recuperação em 2018 e 2019. Um elemento-chave da conversa é a dívida do Brasil que representa cerca de 88% do PIB, uma taxa muito alta em comparação com seus pares na América Latina ou outras nações nos BRICs. Além dessa proporção já muito alta da dívida com o PIB, o governo precisou implementar uma combinação de medidas econômicas para combater a COVID, que deve somar 3% a essa equação. Portanto, o primeiro ângulo dessa situação é o seguinte: temos um país se recuperando lentamente de uma recessão dos anos anteriores, com uma dívida pública alta e agora seriamente impactado pela COVID. Para enfrentar esses desafios fiscais, desde o início do mandato, em 2019, o governo Bolsonaro tem se concentrado em aprovar algumas reformas econômicas estruturais, como a reforma previdenciária, aprovada em outubro de 2019. O ponto principal aqui é que, para obter sucesso nessas reformas, é necessário o apoio do congresso e o que vimos em 2020 é que a situação política mudou muito após a COVID. Desacordos na abordagem geral do coronavírus no Brasil levaram a um forte aumento da oposição ao governo Bolsonaro e acredito que é justo dizer que estamos enfrentando uma turbulência política no momento, no país. Com isso em mente, é possível imaginar que a aprovação de reformas econômicas adicionais não será simples. Do ponto de vista do PIB, o Brasil teve um crescimento de 1,1% em 2019 e, apesar da projeção do FMI de uma queda de 9% em 2020, o senso comum no mercado, que inclui um relatório oficial do banco central brasileiro, aponta para uma queda de mais ou menos 6,5% no ano. Vários analistas têm fortes crenças, baseadas no comportamento do consumidor, de que o pior já passou. Em uma tentativa de estimular a economia, os principais instrumentos que o banco central brasileiro vem utilizando é a política monetária. A principal taxa de juros de referência foi reduzida de meados de 2019, 6,5% ao ano, para meados de 2020, 2,25%, o que representa uma forte redução no intervalo de um ano, e esses 2,25% representam a baixa histórica das taxas de referência no Brasil. Além disso, o banco centraL brasileiro deixou em aberto a possibilidade de um corte adicional em sua revisão de julho. Obviamente, a incerteza que a COVID trouxe ao mercado, alguns riscos, além do cenário de baixas taxas de juros, levaram a uma quantidade significativa de capital saindo do Brasil e, consequentemente, o real desvalorizou bastante, cerca de 30% no ano em relação ao dólar americano. Em todos os contextos, há muitas oportunidades que podemos analisar e especialmente no caso do Brasil, que é muito grande e diversificado. Um dos lados positivos que eu destacaria são os produtos agrícolas do Brasil. As commodities agrícolas representam 21% do PIB brasileiro e aproximadamente 50% de todas as exportações brasileiras. A atividade econômica lenta em todo o mundo diminuiu os preços das commodities e também com a queda nos fluxos, o preço do frete foi impactado, de modo que, atualmente, estamos vendo uma baixa histórica nas taxas de remessa. A China já é o principal parceiro comercial do Brasil e recebe, aproximadamente, 23% de todas as exportações brasileiras. Então, quando pensamos no cenário de preços baixos de commodities, taxas de remessa baixas, um BRL desvalorizado favorável aos exportadores, e, principalmente, com a China comprando menos desses produtos dos Estados Unidos por causa das guerras comerciais, uma forte janela de oportunidade foi gerada para o Brasil. As empresas locais no setor de commodities já estão vendo uma demanda muito mais forte por esses produtos agrícolas e eu destacaria o principal, a soja.

    ROGER HIRST: O mercado acionário brasileiro tem tido um dos piores desempenhos durante o período de crise e o Brasil ainda está sendo devastado pela doença. A moeda, o real brasileiro, tem sido particularmente fraco mas há esperança de que as exportações brasileiras de commodities nas quais os produtos agrícolas são essenciais, possam desempenhar um papel importante em ressuscitar a economia. Especialmente se o Brasil puder desenvolver suas relações com a China em um momento em que a concorrência de exportação dos EUA está diminuindo. Vejo vocês mais tarde com outra atualização.

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