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Como o Código Global de Câmbio evoluiu?

Neill Penney
Neill Penney
Managing Director, Global Head of Trading

Em um webinar promovido pela Refinitiv e ACI Australia, especialistas do setor de FX discutiram o papel do Código Global de Câmbio na redução da turbulência dos mercados causadas pela pandemia.


  1. O Código Global de Câmbio (FX Global Code) ajudou o setor cambial a atravessar a fase mais turbulenta provocada ​​pela Covid-19.
  2. No webinar “Assessing the Impact of the FX Global Code” , organizado pela Refinitiv, um painel de especialistas analisou o papel que o Código desempenhou durante a atual crise e as iniciativas do Global Foreign Exchange Committee (GFXC) para torná-lo ainda mais eficaz.
  3. Os panelistas também discutiram outros tópicos, como o impacto da digitalização nesse mercado. Durante a pandemia, essa tendência foi observada pelo número cada vez maior de operadores de câmbio trabalhando de forma remota.

Desde março, a Covid-19 vem gerando perturbações e deterioração generalizadas em todo o mundo. E no mercado de câmbio, obviamente, as consequências foram tão graves quanto em outros setores.

A turbulência na indústria de FX ainda foi exacerbada por problemas operacionais causados ​​por lockdowns e outras políticas oficiais de distanciamento social que forçaram a adoção do trabalho remoto.

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Código Global de Câmbio e estabilização dos mercados

No auge da volatilidade, as negociações foram marcadas por oscilações extremas de preços, baixa liquidez e aumento acentuado dos spreads de compra e venda.

No entanto, essas condições sem precedentes ressaltaram o papel do Global Foreign Exchange Committee (GFXC) e seu Código Global de Câmbio, instituído em 2017, na redução do estresse para os participantes do mercado.

No webinar “Assessing the Impact of the FX Global Code” , organizado pela Refinitiv, um painel de especialistas analisou o papel que o Código desempenhou durante a atual crise e as iniciativas do GFXC para torná-lo ainda mais eficaz.

Ouça o webinar: “The Buy Side and the FX Global Code: If Not Now, When?”

Sistemas e processos mais fortes

Durante o webinar, os panelistas fizeram comparações entre a pandemia de coronavírus e a crise financeira de 2008/09 e os respectivos mecanismos de resposta que bancos e instituições financeiras empregaram nessas ocasiões. Eles foram unânimes em atribuir a maneira tranquila com que o mercado cambial lidou com as recentes turbulências ao amparo oferecido pelo Código Global de Câmbio.

Segundo os especialistas, o Código ajudou a fortalecer os sistemas e processos relacionados às funções da indústria –entre eles, comércio eletrônico, hedge automatizado e redução de riscos—, colocando o foco em dados e análises e promovendo a transparência e o diálogo entre os participantes do setor.

“Definitivamente, o Código contribuiu para garantir uma reação muito mais suave diante da crise”, disse Neill Penney, Managing Director and Global Head of Trading da Refinitiv. “Isso teve um valor inestimável, pois o mercado mudou drasticamente quase da noite para o dia no final de fevereiro”, acrescentou.

Destacando os benefícios do Código do ponto de vista de um banco, Mark Lawler, Head of Markets Transformation, Corporate & Institutional Bank do National Australia Bank, enfatizou que ele ajudou a aprimorar o funcionamento do mercado desde seus primeiros dias. “E a sua natureza global foi fundamental para melhorar a sua eficácia”.

Uma rápida pesquisa realizada durante o webinar ajudou a ilustrar a avaliação positiva que o novo conjunto de normas para o setor cambial costuma receber dos participantes do setor.

“O Código está em constante evolução para se alinhar às tendências e preocupações do mercado”, afirmou Dr. Guy Debelle, Deputy Governor do Reserve Bank of Australia.

Ele também observou que a atual revisão se concentrará em áreas como execução, emprego do “Last Look” e pre-hedging. “A análise algorítmica de negociação e custo de transação também são áreas que precisam ser atualizadas, refletindo a sua crescente prevalência”, acrescentou.

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Demonstração de força

Com a maior digitalização do mercado cambial, processo que ganhou força após a crise financeira de 2008/09, os panelistas também abordaram as preocupações do público sobre as capacidades tecnológicas do mercado. Eles consideraram, sobretudo, novos desafios (como o trabalho remoto) que se impuseram ao mundo dos negócios desde a pandemia.

 Para os especialistas, é de grande importância que a Global Foreign Exchange Committee (GFXC) esteja atenta a essas tendências. Isso porque elas têm o potencial de tornar obsoletas as estruturas de compliance que os mercados e as instituições financeiras construíram após a crise financeira de 2008/09. ” Ao longo do ano que vem, eu vejo a indústria reagindo ao que aconteceu, aprimorando a digitalização e os controles de acesso e monitoramento”, disse Neill Penney.

A respeito de como a tecnologia digital aumentou a resiliência operacional durante as turbulências do mercado, ele frisa: “Você não imagina a pressão sobre a infraestrutura de TI no setor de FX; estávamos processando três vezes mais cotações do que o normal durante aquele período”.

“Como um todo, a Refinitiv processou 176 bilhões de atualizações em um só dia. Isso é muito mais do que apenas quebrar um recorde anterior, é liquidá-lo. Na minha opinião, a resiliência operacional de toda a indústria para lidar com mudanças repentinas tem sido realmente notável”, diz Penney.

Ele ainda lembrou que a tecnologia desempenha um papel fundamental para fornecer o nível de transparência exigido pelo Código. “Transparência nunca é demais. Sempre há mais a ser feito –e é isso que o setor está perseguindo.”

Melhoria constante

Apesar dos elogios gerais ao impacto positivo do Código, os palestrantes delinearam áreas que podem ser aperfeiçoadas pelo GFXC. Entre elas estão questões como a execução de benchmark e o processo de liquidação de T+2, além da necessidade de incentivar as empresas do buy-side a aderir ao Código.

Segundo o Dr. Debelle, o GFXC, que construiu uma base diversificada de membros nos mercados desenvolvidos e emergentes ao longo dos anos, está trabalhando para fornecer diretrizes mais definitivas sobre divulgações e níveis mínimos de transparência. O comitê também está procurando maneiras de entender melhor como certos segmentos do setor percebem e reagem a algumas diretrizes, como aquelas para pre-hedge e “Last Look”.

“Essa abordagem deriva da crença de que não se pode esperar que os participantes do mercado concordem sobre todos os problemas”, disse Chris Knight, Head of Distribution & Liquidity Optimization for APAC na XTX Markets. “Então, apenas pressionamos por mais transparência e informações, e isso está sendo feito”, acrescenta.

Abordando um outro ponto levantado pelos especialistas e pela própria audiência do webinar, o Dr. Debelle disse que o GFXC também está atuando para melhorar o engajamento entre as instituições do buy-side.

“Tivemos algumas grandes empresas do buy-side se inscrevendo como membros, e elas estão liderando pelo exemplo. O GFXC também tem conversado com elas diretamente para entender e resolver seus problemas em relação à adoção do Código, dissipando quaisquer possíveis equívocos”, explicou.

Ecoando esse ponto, Mark Lawler observou: “Isso levará tempo. Mas à medida que o mercado amadurece, passando por eventos como esta pandemia, e quando o buy-side vir os benefícios colhidos pelo sell-side por ter aderido ao Código, inclusive com a confiança de não ser muito oneroso, aí sim, veremos uma maior aceitação.”

Ao final do webinar, os palestrantes ainda frisaram que eventos como a atual crise devem servir de lembretes sobre os possíveis riscos que o mercado sempre vai enfrentar, e alertaram contra uma atitude complacente. “Quem pensa que agora voltamos à normalidade, está cometendo um grande erro”, advertiu Knight.

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