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Desafios e desdobramentos da transição da LIBOR

Jacob Rank-Broadley
Jacob Rank-Broadley
Head of LIBOR Transition, B&I

Em um recente webinar promovido pela Refinitiv, um painel de especialistas se debruçou sobre os inúmeros desafios impostos pela transição da LIBOR e as possíveis soluções para os participantes do mercado. Confira neste post os principais pontos abordados no evento.


  1. Em 5 de março de 2021, a Autoridade de Conduta Financeira (Financial Conduct Authority ou FCA) anunciou que a partir de dezembro de 2021 as configurações da LIBOR de 1 semana e de 2 meses em USD deixarão de existir de forma permanente. E, após 30 de junho de 2023, os prazos restantes da LIBOR em USD não serão mais publicados ou não não terão representatividade.
  2. A LIBOR precisará ser substituída por uma série de taxas alternativas sem risco, as chamdas Risk-Free Rates (RFRs).
  3. Existem bolsões de demanda por outras versões de taxas de prazo desses RFRs que estão sendo desenvolvidos por administradores de benchmarks, incluindo a Refinitiv.

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A extinção da LIBOR é, sem dúvida, um dos maiores desafios enfrentados pelos participantes do mercado financeiro em muitos anos. Isso porque a taxa de referência possui uma longa história e se tornou onipresente no sistema financeiro, o que faz com que a iminente transição para Taxas Livres de Risco (RFRs, na sigla em inglês) apresente aos participantes do mercado uma infinidade de desafios. Entre eles, estão desde a busca de soluções para a precificação de contratos e comunicação das mudanças aos clientes até como garantir que a exposição legada seja minimizada e potenciais riscos, gerenciados.

Qual é o cronograma para a transição da LIBOR?

Em 5 de março de 2021, a Autoridade de Conduta Financeira (Financial Conduct Authority ou FCA) anunciou que a partir de dezembro de 2021 as configurações da LIBOR de 1 semana e de 2 meses em USD deixarão de existir de forma permanente. E, após 30 de junho de 2023, os prazos restantes da LIBOR em USD não serão mais publicados ou não não terão representatividade.

Apesar de o deadline de 2023 dar ao mercado algum tempo para respirar, os membros da FCA foram claros: as empresas não devem perder tempo e precisam avançar com seus planos de transição, já que a orientação dos supervisores é que não haja novos contratos de LIBOR de USD após o final de 2021.

Em um recente webinar da Refinitiv sobre esse tema, uma das principais mensagens dos panelistas foi que agora estamos entrando em um período de mudanças rápidas. Faltando apenas alguns meses para dezembro de 2021, as organizações têm de garantir que estão a par dos novos desenvolvimentos e abordagens de melhores práticas para gerenciamento de transição.

Explore as soluções e serviços da Refinitiv para a substituição da LIBOR

Taxas livres de risco

As novas taxas livres de risco (RFRs) diferem da LIBOR de várias maneiras. As RFRs alternativas baseiam-se em depósitos overnight e são retrospectivas, em contraste com a LIBOR, que tem seis prazos prospectivos (mais uma taxa overnight).

Além disso, as novas RFRs são livres de risco (ou quase) e apoiam-se em transações do mercado, enquanto a LIBOR incorpora o risco de crédito de um típico “panel bank” –painel de dezoitos bancos que determina as taxas Euribor—e é baseada em submissão ou apenas parcialmente em transações.

Dois exemplos de RFRs são a Secured Overnight Financing Rate (SOFR), que os bancos usam para precificar derivativos e empréstimos denominados em dólares americanos, e a Sterling Overnight Indexed Average (SONIA), taxa de juros overnight paga pelos bancos por transações não garantidas no mercado da libra esterlina.

Instrumentos herdados atrelados a LIBOR

Os panelistas chamaram a atenção para as dificuldades que podem ser causadas pelos back books já existentes, o que muitas vezes não é levado em consideração.

A LIBOR surgiu formalmente em meados da década de 1980 e, por mais de 30 anos, dominou o mercado de taxas de juros. Como resultado, muitos produtos de taxas de juros em USD, EUR, GBP, JPY e CHF provavelmente estão atrelados a LIBOR.

Segundo estimativas recentes do ARRC –um grupo de participantes do mercado privado convocado pelo Federal Reserve Board e pelo Fed de Nova York para ajudar a garantir uma transição bem-sucedida da LIBOR do USD para benchmarks mais robustos—, exposições antigas amarradas a LIBOR do USD poderiam chegar a 220 trilhões de dólares.

Embora muitos desses instrumentos estejam relacionados a derivativos ou já terão expirado em junho de 2023, o mercado ainda poderia ficar com uma exposição de cerca de 5 trilhões de dólares em produtos em dinheiro atrelados a LIBOR (empréstimos, títulos e produtos securitizados), o que é muito preocupante.

Um dos principais problemas é que os contratos herdados em LIBOR podem não ter uma linguagem de fallback que dê conta da extinção permanente da LIBOR em dólares americanos.

Com isso em mente, a nova legislação para a LIBOR promulgada há pouco tempo no estado de Nova York procura amenizar os resultados econômicos adversos da linguagem de fallback dos contratos herdados em LIBOR.

Assim, quando o documento não tem fallback, ou este é baseado na LIBOR, a nova lei elimina qualquer termo existente e o substitui pela linguagem recomendada pelo ARRC.

O ARRC publicou uma recomendação para que o fallback seja redigido com a especificação de que os contratos com esses termos serão adaptados para a Secured Overnight Financing Rate (SOFR), além um ajuste de spread fixo no ponto de transição para os contratos herdados. As taxas também devem levar em conta as nuances dentro dos diferentes mercados.

Principais desafios da transição da Libor

Durante uma enquete online, o público que participou do webinar foi solicitado a apontar o principal desafio que eles enfrentam com a transição da LIBOR para RFRs alternativas. As respostas mostraram que quase metade (48,4%) tem problema com a disponibilidade de taxas de prazo, e outros 29% mencionaram a atualização de procedimentos e sistemas.

Diante desse resultado, os panelistas focaram nas razões pelas quais boa parte do público apontou essa deficiência no mercado.

Há duas principais questões em jogo. Em primeiro lugar, muitos sistemas e processos exigem que o benchmark tenha uma estrutura a termo, simplesmente porque essa é a forma como o mercado evoluiu até se transformar numa convenção. Afastar-se de uma estrutura a termo exigirá o aprimoramento de muitos sistemas, gerando implicações de tempo e custo.

Em segundo lugar está o fato de que, em última análise, alguns produtos na esfera do financiamento comercial não funcionam sem o conceito de uma estrutura a termo.

Além disso, os palestrantes concluíram que as empresas receberiam bem uma taxa de prazo, pois a considerariam mais semelhante ao benchmark LIBOR a que já estão acostumados.

Ajuda para navegar o cenário de transição

A Refinitiv tem desenvolvido um conjunto holístico de benchmarks, dados, ferramentas, análises e suporte para auxiliar as empresas a navegar neste cenário de transição para taxas alternativas.

Estamos introduzindo novos benchmarks, como o Refinitiv Term SONIA (uma taxa isenta de risco em GBP) e o USD IBOR Cash Fallbacks, bem como atualizando nossas análises e oferecendo novos dados de mercado que consigam abranger a ampla gama de mudanças relacionadas à transição da LIBOR.

Também desenvolvemos um app exclusivo para nossa plataforma Eikon: o IBOR Transition. Ele permite aos usuários se manter a par das mudanças globais nos benchmarks de taxas de juros. Atualizado regularmente, o aplicativo traz notícias e valores para uma variedade de taxas, incluindo RFRs, benchmarks ajustados do IBOR e taxas de juros incumbentes.

À medida que a data limite para o fim da LIBOR se aproxima, dados ­robustos e ferramentas inovadoras fornecerão um suporte inestimável às empresas que buscam maximizar a eficiência e minimizar os riscos em suas atividades diárias.

Assista ao webinar “The LIBOR Transition: Is the Market Ready?”

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