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Diretor do BC sugere que home office pode estar aliviando pressões salariais e inflação no Brasil

Bernardo Caram
Bernardo Caram
Jornalista, Reuters
Marcela Ayres
Marcela Ayres
Jornalista, Thomson Reuters

O modelo de home office pode estar aliviando as pressões salariais no Brasil diante de um mercado de trabalho aquecido, mostra estudo assinado pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, e o analista da autarquia Sergio Leão, em meio a uma trajetória benigna da inflação no país.

Publicado nesta sexta-feira pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), o documento observa uma significativa recuperação nos níveis de emprego no país, enquanto os salários em geral ainda seguem aquém dos patamares pré-pandemia, com ganhos reais dos trabalhadores mais qualificados registrando a maior diminuição.

Esse movimento sugere que “trabalhar de casa pode estar desempenhando um papel em baixar a pressão salarial durante a recuperação pós-pandemia”, escreveram.

“Uma explicação possível para a menor pressão sobre o crescimento salarial durante a recente recuperação econômica é que os trabalhadores mais qualificados, que têm maiores chances de trabalhar remotamente, aceitaram um crescimento salarial nominal mais baixo em troca do valor de comodidade de uma maior flexibilidade no trabalho”, afirmaram.

A taxa de desemprego do Brasil caiu para 7,7% nos três meses encerrados em setembro, marcando o valor mais baixo desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2015.

Apesar de um mercado de trabalho dinâmico, a inflação anual até outubro marcou 4,82%, retomando uma trajetória descendente que levou economistas a projetarem que o IPCA terminará o ano dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central.

A partir da análise de uma série de dados, Guillen e Leão concluíram que o aumento dos salários reais antes da pandemia de Covid-19 tinha maior participação das pessoas com nível mais elevado de qualificação. No entanto, após o surto, o efeito geral dos trabalhadores com formação universitária no crescimento salarial foi revertido.

Na ata da sua mais recente decisão de política monetária, quando cortou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual pela terceira vez consecutiva para 12,25% ao ano, o Comitê de Política Monetária — do qual Guillen faz parte — destacou que apesar do declínio contínuo na taxa de desemprego, não há evidência de pressões salariais elevadas nas negociações entre trabalhadores e empregadores.

O BC disse que continuará a monitorar a dinâmica dos rendimentos no Brasil para melhor avaliar o grau de ociosidade no mercado de trabalho e seus potenciais impactos na inflação de serviços, uma variável considerada fundamental nas decisões de política monetária.

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