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Abuso de mercado e monitoramento do trading em tempos de Covid-19

Stefan Queck
Stefan Queck
Business Development Director, b-next Holding AG

Em um recente webinar promovido pela Refinitiv, um painel de especialistas explorou questões regulatórias que envolvem o aumento de condutas ilícitas nos mercados financeiros e os desafios de manter uma vigilância eficaz das negociações desde que a pandemia transformou por completo o ambiente de trabalho.


  1. Desde que os funcionários passaram a trabalhar de casa, os riscos de que as gestoras de fundos transgridam regras do mercado aumentaram de forma global.
  2. Há indícios de que pouco menos de 6% das transações suspeitas geram alertas entre os investidores.
  3. Notícias sobre casos de abuso de mercado e dificuldades para monitorar as negociações de ativos têm gerado preocupação entre as equipes de compliance bem no momento em que é preciso se acostumar a novas dinâmicas de trabalho e custos crescentes.

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Com a chegada da pandemia e a mudança do expediente para a sala de casa, vimos crescer o potencial de transgressão das regras de mercado por empresas gestoras de fundos. E, segundo dados recentes, apenas 6% das transações suspeitas geraram alertas entre os investidores.

Além disso, como o trabalho remoto dificulta o monitoramento e a detecção de possíveis mal-feitos, os times de compliance dessas organizações se viram às voltas com novas dinâmicas operacionais e despesas cada vez maiores.

No webinar “Trade Surveillance and Market Abuse: Covid-19, Costs, and Compliance”, um painel de especialistas se debruçou sobre alguns dos principais estudos de caso destacados pela mídia, incluindo os desafios que os profissionais da área estão enfrentando e possíveis soluções.

Acima de tudo, as instituições financeiras precisam de dados em que possam confiar, e que sejam capazes de alimentar uma plataforma totalmente integrada para transformar o compliance em um ativo comercial, em vez de simplesmente mais um gasto.

Ouça o webinar: “Trade Surveillance and Market Abuse: Covid-19, Costs, and Compliance”

Os palestrantes analisaram como tecnologias inovadoras (Inteligência Artificial, Machine Learning e Análise de Dados, entre outras) e dados confiáveis ​​vêm ajudando as organizações a gerir custos de compliance, além de apontar necessidades e direções a seguir.

As ineficiências existentes nos processos de vigilância do trading foram exacerbadas no ambiente comercial imposto pela pandemia, destacando a necessidade de sistemas totalmente integrados e automatizados.

A Refinitiv atende o setor de risco em parceria com empresas como a b-next AG, um dos maiores fornecedores mundiais de software corporativo para o setor de vigilância e compliance de negociação em mercados de capitais.

Vigilância de trading para conter abuso de mercado: um desafio

A adoção generalizada do trabalho remoto na esteira da pandemia de coronavírus mudou a maneira com que as instituições financeiras e os reguladores encaram o controle e as condutas iícitas nos mercados.

De acordo com um relatório da Thomson Reuters, mais de 71% das empresas estão atualizando seu sistema de monitoramento dos traders. Ao mesmo tempo, elas têm de lidar com aumentos de custos, já que os gastos globais com vigilância de operações de trading têm subido, em média, US$ 10.000 por funcionário.

Do lado regulatório, o Regulamento de Abuso de Mercado (Market Abuse Regulation, ou MAR) entrou em vigor em 2016 e continua válido –apesar do Brexit. O MAR penaliza o uso de informações privilegiadas, manipulação de mercado e divulgação ilegal de informações, e a Autoridade de Conduta Financeira (Financial Conduct Authority ou FCA) pode supervisionar e punir indivíduos.

O maior desafio, no entanto, é avaliar se a estrutura do MAR se mantém apropriada diante das mudanças no ambiente de trabalho impostas pela pandemia. De lá para cá uma infinidade de informações confidenciais foram compartilhadas por meios de comunicação não monitorados e/ou criptografados, entre eles aplicativos como o WhatsApp.

A FCA lembrou às organizações financeiras que elas ainda têm a obrigação de registrar comunicações, incluindo as eletrônicas. Outra dificuldade é se atentar à linha tênue entre vida pessoal e profissional, que a pandemia agravou ainda mais.

Terceirização ou estrutura de compliance interna?

Um novo relatório mostra que desde março de 2020, aproximadamente 30% das empresas consideram terceirizar parte de sua estrutura de compliance, alegando falta de capacidade para manter tal serviço internamente e custos muito altos.

E as firmas que estão desenvolvendo sistemas internos buscam profissionais com habilidades de matemática associadas a produtos. Mas, como é difícil encontrar pessoas que agreguem ambas capacidades, muitas companhias passaram a combinar a terceirização com os talentos que já possuem internamente, seguindo uma abordagem holística.

Outro motivo para essa escolha é o alto custo de se instaurar processos de vigilância que cubram toda a empresa. Vale lembrar que além das diversas classes de ativos, também é necessário monitorar diferentes locais e jurisdições e, à medida que os reguladores incrementam os requisitos, novos regulamentos.

Análise de dados: necessidade crescente

O compliance depende de análise de dados tanto na área de infraestrutura digital quanto na de resposta regulatória digital.

Na infraestrutura, a automação ajuda a reduzir o custo operacional. Afinal, quanto mais processos são automatizados, melhor costumam ser as margens de lucros.

Soluções escaláveis ​​em nuvem são importantes, pois se o volume de dados aumentar, isso pode ser gerenciado imediatamente e os custos associados às soluções em nuvem mostram-se bem mais flexíveis.

Para a resposta regulatória digital, é preciso uma maneira flexível de integrar os dados. Isso deve estar disponível na mesma plataforma –e não separada— para que não haja necessidade de executar vários sistemas. Assim, as empresas podem processar mais dados, configurando-os de forma independente com base nos requisitos jurisdicionais.

Entretanto, para que tudo isso se desenrole suavemente, o segredo é um só: dados confiáveis.

Durante o webinar, perguntamos aos participantes quais eram os principais desafios para fiscalizar as negociações de ativos no mercado. Para 66% dos entrevistados, faltou acesso a dados confiáveis, além de automação nas organizações (32%) e maior precisão relacionada a perfis de risco precisos (14%).

Tecnologias inovadoras com dados confiáveis

Os custos para manter um departamento de compliance eficaz podem ser impressionantes: bancos globais e grandes corretoras com mais de 20.000 funcionários podem acabar gastando até US$ 200 milhões anuais.

Os profissionais da área relataram as mudanças regulatórias como os principais desafios em 2020, já que em 2019 eles foram testemunhas de 56.624 alertas emitidos por mais de 1.000 órgãos reguladores, uma média de 217 atualizações por dia.

Em meio a esse cenário, as autoridades reguladoras do Reino Unido confessam que ainda estão “ouvindo e aprendendo” quando se trata da utilização de Inteligência Artificial. A FCA, por exemplo, fez parceria com o Instituto Alan Turing para estudar o impacto da IA ​​nos mercados financeiros.

Uma questão chave é como podemos treinar melhor o Machine Learning para nos ajudar a detectar sinais comportamentais quando a liquidez for um problema. É preciso colocar essas tecnologias de última geração executando as tarefas certas para que possamos compreender, identificar e mitigar melhor os riscos.

Embora muitos concordem que a automação é o caminho a seguir, não é algo tão simples de se fazer, pois dependemos do desenvolvimento da infraestrutura e da máquina adequadas para lidar com o maior número de transações de maneira automatizada.

Os participantes do mercado têm se deparado com o emprego cada vez maior da Inteligência Artificial. Mas essa tecnologia só será eficiente se usar dados de qualidade e, para algumas classes de ativos, isso ainda é um problema (além disso, são necessárias competências específicas para compreendê-los).

Casos incomuns de investimento em foco

Temos visto a crescente participação de investidores de varejo nos mercados financeiros. Em 2020, por exemplo, houve um aumento tanto no número de novas contas de corretagem quanto de reativações daquelas que estavam inativas.

Com isso, a preocupação é que mídias sociais e outros novos canais de comunicação se tornem grandes impulsionadores das decisões de investimento, colocando investidores potencialmente vulneráveis ​​em risco.

Portanto, as agências reguladoras têm observado atentamente casos de investimento como os da GameStop e AMC, em que a irracionalidade definitivamente dominou o mercado.

Diante dessa realidade, os reguladores têm três opções. Primeiro, envolver-se em advertências aos investidores; segundo, adotar uma abordagem mais intervencionista, ou seja, proibir produtos ou intervir; e terceiro, realizar ações coercitivas.

Outra pergunta da enquete realizada durante o webinar foi: “Na sua empresa houve crescimento de transações e relatórios de pedidos suspeitos desde março de 2020?” Entre os participantes, 68% disseram “não”, enquanto 31% responderam “sim”. Também indagamos se o orçamento para a área de compliance havia subido de 2019 para 2021, e 73% afirmaram que sim.

Adaptação às mudanças

Com a plataforma de compliance inteligente da b-next e os dados da Refinitiv, perfeitamente integrados a ela, as instituições finaceiras são capazes de se adaptar às mudanças e aos novos riscos, protegendo-se de sérios danos financeiros e de penalidades regulatórias.

Desenvolvida por meio de uma parceria entre a b-next e a Refinitiv, a CMC: eSuite lida com esses desafios de maneira econômica e com alta precisão, capaz de detectar possíveis tentativas de manipulação de mercado.

A plataforma reúne análises comportamentais, Machine Learning e Inteligência Artificial, fornecendo uma abordagem holística para o monitoramento do trading e as necessidades do compliance.

A b-next oferece às empresas interessadas a oportunidade de conhecer o software em demonstrações individuais. Clique aquí para saber mais sobre as soluções e serviços da b-next.

Ouça o webinar: “Trade Surveillance and Market Abuse: Covid-19, Costs, and Compliance”