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Petrobras estuda parceiros em fertilizantes para acelerar projetos, dizem fontes

Marta Nogueira
Marta Nogueira
Repórter na Reuters News Agency
Rodrigo Viga
Rodrigo Viga
Jornalista

A Petrobras estuda contar com parcerias para acelerar seus planos para incrementar a produção de fertilizantes no Brasil, uma das principais demandas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a atual gestão da petroleira, afirmaram duas fontes próximas às discussões.

Uma das alternativas, segundo uma das fontes, poderá ser a atração de sócios para a conclusão de planta de fertilizante cuja obra foi paralisada. Empresas como a norueguesa Yara ou a chinesa Sinochem estão no radar da Petrobras, disse essa pessoa.

“Pode acelerar muito, porque aí tem parceiro privado ali que vai trazer o que resta e fazer a obra, isso é uma hipótese de aceleração. Pode ser outra, mas essa é uma”, disse essa pessoa, na condição de anonimato.

Executivos da Petrobras já falaram anteriormente que estavam analisando a retomada do projeto de fertilizantes nitrogenados de Três Lagoas (MS), cujas obras estão paradas há anos. A companhia também conta com a unidade industrial de fertilizantes nitrogenados do Paraná (Ansa), que está hibernada.

Além disso, a Petrobras arrendou fábricas de fertilizantes nitrogenados da Bahia (Fafen-BA) e de Sergipe (Fafen-SE) para a Unigel, com quem negocia algumas opções, incluindo projeto relacionado a hidrogênio verde. A unidade da Bahia está fora de operação.

Procurada, a Unigel disse que está em negociações em aberto com a Petrobras, mas que no momento não fará comentários adicionais. Petrobras, Yara e Sinochem não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

O tema de investimentos em fertilizantes ganhou mais importância estratégica para o Brasil e para a Petrobras, após uma crise de abastecimento gerada com a guerra na Ucrânia.

“Até quando o Brasil vai ficar dependente da importação de um insumo tão importante para o nosso agronegócio? Algo tem que ser feito e achamos que vai. O presidente Lula e a Petrobras sabem disso”, disse a segunda fonte, que destacou ver o preço do gás natural como um “grande obstáculo” para a produção no país.

Há iniciativas nesse sentido em andamento no governo, como Plano Nacional de Fertilizantes e o Programa Gás para Empregar — o gás é matéria-prima importante para adubos nitrogenados.

De qualquer forma, a Petrobras já buscará meios de reduzir prazos para a entrada em operação de plantas previstas no Plano Estratégico em elaboração para o período de 2024 a 2028, atendendo a pedidos do presidente Lula, disse a primeira fonte, sem entrar em detalhes.

Inicialmente, foram incluídos no planejamento prazos muito longos, uma vez que consideravam todos os tipos de riscos de recursos que poderiam ocorrer nos processos competitivos, disse a fonte.

“Pode encurtar isso, trabalhar com ‘range’ maior, em vez de ser daqui a três anos, coloca de um a três, porque se não tiver recurso (no processo licitatório), em um ano começa a obra. Mas a gente sabe que tem licitação que passa dois anos e não resolve nada”, disse a fonte, exemplificando, mas sem dar detalhes.

A petroleira também buscará dar ênfase em iniciativas para a área de fertilizantes em seu plano, destacando como um segmento importante para o abastecimento nacional e apontando para atendimento da demanda interna a partir das quatro plantas do país, colocando todas para funcionar.

A Petrobras tinha alguns ativos em operação no segmento de fertilizantes antes de sair do setor para focar em áreas que considerava mais essenciais, como a exploração do pré-sal, em governos anteriores.

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Outras demandas de Lula

Além dos fertilizantes, a Petrobras também vai buscar atender outras demandas do presidente Lula para o Plano Estratégico, previsto para ser publicado na sexta-feira, após já ter passado por cerca de uma dezena de reuniões dentro do conselho de administração, disse a fonte.

Dentre elas, a companhia buscará enfatizar a busca por conteúdo local, sem colocar percentuais. “Tem que ser um plano nacional”, disse a fonte. “Não pode simplesmente declarar que vai contratar não sei quantos navios e isso se fazer como mágica”, afirmou.

A ideia, nesse caso, é também procurar parceiros que a companhia tem na China, Cingapura, Coreia do Sul, e se aproximar de parceiros brasileiros que estão sem condições de assumir obras sozinhos.

Outro ponto será uma orientação no plano para, na busca por possíveis aquisições de projetos de energia renovável no mercado, a Petrobras invista um percentual maior em empreendimentos novos chamados “greenfield”, em detrimento de projetos já em operação.

A pessoa destacou que em momento nenhum Lula tem “atropelado” a atual gestão da Petrobras, pois conhece bem o processo na companhia e entende que a estatal precisa cumprir ritos internos.

Na véspera, o CEO da petroleira, Jean Paul Prates, esteve reunido com Lula e alguns ministros para debater pontos que estarão incluídos no planejamento, após reportagens afirmando que o presidente não estaria satisfeito com a atuação do executivo.